terça-feira, maio 28, 2013

Como nasceu o Parque de Material Aeronáutico

Com a reorganização do Serviço Aeronáutico, de 29 de Julho de 1918, além de outras inovações, criava-se o Parque de Material Aeronáutico. Pelo artigo 10º do Decreto nº 4526, o Parque era destinado a:
1 - Guardar, conservar, reparar, construir e fornecer material aeronáutico
2 - Ministrar instrução aos artífices especialistas.
Quer dizer, o Parque, além da sua função oficinal especifica e de depósito de material, funcionaria como escola de mecânicos. O mesmo diploma legal, estabelecia no quadro de pessoal permanente o seguinte: o director, dois adjuntos oficiais de engenharia, um oficial do quadro auxiliar do serviço de engenharia, um tesoureiro de administração militar, um sargento-ajudante, três sargentos e um praça de pré, todos de engenharia: e o pessoal menor auxiliar e fabril em número a fixar oportunamente.


As salinas de Alverca - 1918

Terrenos de cultura de Alverca - 1918
Em face disso, começou a activar-se imediatamente a estruturação do Parque, ainda em Vila Nova da Rainha. No dia 26 de Agosto de 1918, é aberto o livro de ordens, escrito à mão, à maneira antiga, sem cópia, e que por isso mesmo tem hoje um alto valor histórico. Pela Ordem de Serviço nº1, assumia o cargo de director, o capitão de engenharia, com o curso de engenheiro aeronáutico, Pedro Fava Ribeiro de Almeida.

Coronel Pedro Fava Ribeiro de Almeida
Eram nomeados adjuntos, o tenente de engenharia João de Almeida Meleças, que na Escola Militar da Aeronáutica desempenhara iguais funções de adjunto e chegara a frequentar o curso histórico de pilotagem de 1916-1917, o primeiro efectuado em Portugal, e o tenente do quadro auxiliar dos serviços de engenharia Ernesto Videira.Completavam o reduzido quadro de oficiais: o tesoureiro, alferes de administração militar José de Almeida Meleças e o alferes miliciano de engenharia D. Marcos da Silva Noronha.

Capitão João de Almeida Meleças
Como médico, era contratado o tenente médico miliciano Francisco Ribeiro de Almeida Saraiva, um dos pioneiros também, de Vila Nova da Rainha. Para guarnecer o Parque, era indicado o pessoal da Companhia de Aerosteiros, em serviço em Vila Nova da Rainha. Constava ele do primeiro-sargento António Pires Ferreira e dos segundos-sargentos Penedo, Chatinho, Araújo, Salgueiro e Pires, a maioria de sapadores mineiros; de 10 cabos, entre os quais, Albano Tavares que durante longos anos prestou serviço na Aviação Militar e 20 soldados, entre os quais, 2 condutores-auto.
Como engenheiro mecânico contratado, foi admitido o francês Léon Wilfart, que viera para Vila Nova da Rainha, para proceder à montagem dos aviões Farman-41 e Caudron G-3 e ali se radicou e se evidenciou ao apresentar um projecto de banco de ensaio para motores, que chegou a ser montado e portanto foi o primeiro que houve no país. De resto, a sua acção continuou a ser tão relevante, que levou o nosso governo a agraciá-lo com o grau de cavaleiro da Ordem Militar de Cristo, a 18 de Fevereiro de 1921.

O engenheiro francês Wilfart, junto ao banco de ensaio de que montou no PMA.
Por essa mesma ordem se designava qual o material que viria a servir, no Parque a erigir em Alverca. Dessa forma, as oficinas da Escola seriam desmontadas e reconstruidas, com aproveitamento do material de construção. As máquinas e utensílios naquelas contidas, seguiriam também para Alverca e bem assim como o depósito de ferramentas, o material da garagem, um camião Kelly e tractor Jefferson, as arrecadações de material usado e casa do motor. Finalmente todos os caixotes de aviões e o hangar nº 1, tipo Bessoneau, de madeira e lona, desmontável.
Em resumo, a Escola de Vila Nova da Rainha, debaixo do ponto de vista oficinal, ficaria reduzida à expressão mais simples, o que não deve causar estranheza uma vez que se pensava na sua mudança urgente, para outro local de maior salubridade. Em 1919, pensou-se mesmo, como veio publicado nos jornais da época, na sua transferência para Alverca. Porém a Escola Militar de Aeronáutica, só em 1920, abandonaria Vila Nova da Rainha, mas para se fixar na Granja do Marquês.
Em princípios de Setembro, o Parque instala-se, ou melhor, acampa em Alverca, sendo a Ordem de Serviço nº18 ali já publicada.

 
Tenente médico Francisco Saraiva e Sargento-ajudante Albano Tavares
Começam então aparecendo os primeiros mecânicos, uns vindos de França, já especializados, como Manuel Gouveia (que se celebrizaria nas viagens aéreas a Macau e travessia nocturna do Atlântico Sul), Manuel António (componente da 1ª viagem aérea à Guiné), Gomes da Costa, Artur de Oliveira e outros que seriam graduados em sargentos, vindos de meios fabris e da Casa Pia.
Começa também o assalariamento de pessoal para as oficinas, e a 26 de Outubro dá-se início à construção dos primeiros edifícios. Em princípios de 1919, João Meleças (que ficou com o seu nome ligado a uma avenida de Alverca), é promovido a capitão e Ribeiro de Almeida, no mês imediato, a major. À medida que os edifícios se vão aprontando, o trabalho de organização continuava metodicamente. Assim a 11 de Março, seis meses depois da vinda para Alverca dos primeiros elementos, a parte fabril ficou dividida em 4 secções:
1ª Secção: Oficina de carpintaria civil, de electricidade, de pintura, de correeiro e depósito de madeiras.
2ª Secção: Oficina de motores, de serralharia mecânica, de forjas e de caldeireiros.
3ª Secção: Armazém de material de aviação, tendo adstrito o depósito de ferramentas e material de consumo.
4ª Secção: Coluna automóvel e oficina de reparação auto.
É de justiça também mencionar aqueles obreiros mais humildes, que contribuíram de forma exemplar, para que a inauguração do Parque se realizasse no prazo concebido pelos seus dirigentes e mentores. Trata-se do serviço de obras que foi dirigido pelo mestre Augusto Henriques, tendo como auxiliares preciosos, o mestre carpinteiro Joaquim dos Santos, o mestre pedreiro Pedro Anacleto e o capataz geral José dos Reis.
A história do Parque de Material Aeronáutico, e do seu orto, ficaria mutilada, sem a citação destes nomes, que comandaram a legião dos ignorados servidores que fizeram as paredes iniciais do grande edifício que hoje as O.G.M.A. orgulhosamente ostenta. Tudo se aprontava para a desejada inauguração oficial. Havia instalações, pessoal escolhido idóneo, mas era preciso começar o trabalho perfeitamente esquematizado. Estabeleceu-se assim o horário a 16 de Outubro de 1919.
Entrada: (manhã) 08:30 h. – Alta: 12:30 h.
Entrada: (tarde)    13:30 h. – Alta: 17:30 h.
Finalmente, no dia 26 de Outubro de 1919, ou seja um ano depois do lançamento do primeiro cabouco, era oficialmente inaugurado o Parque de Material Aeronáutico de Alverca.
(Texto e fotografias do livro de Edgar Cardoso "O Jubileu das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico" de 1968)

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1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

O parque de Alverca está a ser DEMOLIDO , mais um edifício está a ir abaixo agora é a vez do 1º Sel-service...................
As aguias já foram agora até a CRUZ DE CRISTO foi pintada de branco !!!!!!! Eu pergunto porquê ????????

1:08 da manhã  

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